O aperto de mão entre o Palácio e Linhares
Na tarde do último dia 23 de fevereiro, o vice-governador Ricardo Ferraço recebeu, no Palácio da Fonte Grande, o presidente da Câmara de Linhares, Roninho Passos. A agenda foi institucional. Mas, na política, forma e conteúdo quase nunca caminham separados.
O gesto é simbólico — e estratégico.
Linhares é hoje a cidade mais relevante do Espírito Santo fora da Grande Vitória. Detém o quinto maior orçamento do Estado, peso econômico consolidado e protagonismo eleitoral no Norte capixaba. Não é um território periférico. É peça central no tabuleiro estadual.
Roninho, como presidente da Câmara, ocupa uma posição estratégica nesse cenário. É pré-candidato a deputado estadual e vem ampliando seu campo de diálogo. Não atua de forma isolada, tampouco periférica. Pelo contrário: movimenta-se de maneira organizada, construindo densidade política.
A sequência confirma a movimentação
O encontro com o vice-governador não foi um fato solto. Ele ocorre após uma agenda cuidadosamente construída nas últimas semanas:
📌 03 de fevereiro – Encontro com o presidente da Assembleia Legislativa, Marcelo Santos
📌 09 de fevereiro – Reunião com o deputado federal e presidente estadual do Podemos, Gilson Daniel, acompanhado do prefeito de Linhares, Lucas Scaramussa
📌 12 de fevereiro – Agenda com o ex-prefeito José Carlos Elias
📌 23 de fevereiro – Reunião com o vice-governador Ricardo Ferraço
Quando há sequência, há estratégia.
O impacto real do encontro
A leitura é objetiva: Roninho trabalha para consolidar sua pré-candidatura com trânsito em diferentes núcleos de poder.
O encontro no Palácio o projeta além do ambiente municipal. Ganha dimensão estadual. Amplia interlocução. Constrói pontes.
Mas é preciso registrar: o movimento também interessa — e muito — a Ricardo Ferraço.
Ao abrir canal direto com a principal liderança institucional de Linhares, o vice-governador fortalece sua presença na cidade mais estratégica do Norte. Amplia sua rede de diálogo e pavimenta caminhos para 2026.
O peso de Linhares no Norte
Linhares tem peso econômico, eleitoral e simbólico. Nenhum projeto majoritário competitivo ignora essa realidade.
A aproximação não formaliza alianças. Não antecipa palanques. Mas consolida presença.
E presença, na política estadual, antecede composição.
O reflexo sobre Arnaldinho
Existe ainda um efeito indireto. Roninho é reconhecido como principal referência regional do projeto de Arnaldinho Borgo no Norte.
A interlocução direta com o vice-governador não significa rompimento. Mas amplia o campo de diálogo e reduz exclusividades. Isso altera a dinâmica regional sem produzir qualquer ruptura pública.
O eixo Linhares – Palácio
O chamado eixo Linhares–Palácio Anchieta não define alianças. Não antecipa palanques.
Mas estabelece um canal relevante entre o núcleo do governo estadual e a principal estrutura política da cidade mais estratégica do interior.
Para Ricardo Ferraço, é avanço concreto no Norte.
Para Roninho, é densidade institucional.
Para 2026, é um movimento que precisa ser observado com atenção.
O tabuleiro começou a se mexer.
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